26 de out. de 2015

Nós, ante os doze apóstolos da política econômica mundial (TPP)

Nós, ante os doze apóstolos da política econômica mundial
Rogério Devisate


   Dias atrás soubemos que um bloco político econômico formou-se, com EUA e onze países (Austrália, Canadá, Chile, México, Nova Zelândia, Malásia, Brunei, Japão, Peru, Cingapura e Vietnã). Este histórico acordo sobre comércio no pacífico cortará barreiras, eliminará tarifas e dará ensejo ao maior bloco econômico do mundo. Trata-se do TPP, sigla em inglês para parceria trans-pacífica, que poderá afetar cerca de 40% da economia mundial.


    Esta integração comercial não inclui o Brasil. Dirão alguns que isso seria natural, já que o tratado envolve países do Pacífico e nós não somos da região. Ocorre que muitos dos países do bloco são fortes parceiros comerciais do Brasil e as vantagens que este bloco possa vir a gerar para os signatários certamente os fará enfatizar ações políticas e comerciais com os novos parceiros, marginalizando os demais países. O Brasil, aliás, optou pela política sul-sul, estreitando relações em anos recentes com países em desenvolvimento antes de ter sólidas bases para falar de igual a igual com as mais sólidas economias globais.


    Lembrei-me do neologismo tittytainment de anos atrás, pelo qual se indicava que vinte por cento da população em condições de trabalho no século XXI manteriam a economia mundial. Essa relação “vinte por oitenta” de algum modo se associa com a idéia da TPP, pois esses países atuarão como propulsores da economia mundial e com facilidades político-comerciais inefáveis, legando aos demais atores obrar na periferia desse acordo, ora tentando entrar ora tentando boicotar, de sorte a poder sobreviver no competitivo mercado global.


    É significativa a insegurança que a economia mundializada pode trazer para a estabilidade comercial dos países que ficam à margem dos grandes tratados e sem dúvidas um país fora desse bloco sentirá efeitos, que mais grave serão conforme demore a reagir ou negue a realidade e pujança do que se desenrola. Além disso, um país como o nosso, atravessando essa grave crise econômica e com esse complexo quadro político gerencial, tende a demorar a reagir, o que pode ainda mais agravar sua convalescença econômica e abalar ou fazer erodir os alicerces da sua estabilidade democrática.


    Lamentavelmente, em nome do nosso desenvolvimento e da nossa estabilidade econômica, talvez sejamos levados a implorar uma parceria diferenciada com esses novos 12 difusores da nova ordem econômica mundial, em condições menos favoráveis do que teríamos em condições normais.


     A estratégia não pode ser adequada se todos os cenários não são analisados e, independentemente de qualquer posicionamento político, o país não pode ficar à margem dessas negociações ou agremiações sob pena de se tornar mero expectador que pague ingresso para ver peça encenada por outros atores político-comerciais, ao invés de estar no palco encenando, com ativa fala, obviamente cometida a um dos personagens principais.

Um comentário:

  1. isso mesmo. o brasil perde espaço e pagará preço caro por isso. lamentavelmente, por equivoco dos governantes.

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